Escrita Esquisita

Textos guardados
Bocadinhos do tempo de alguém que se obriga a aprender a gostar da escrita

Recortes

Desconfio sempre da autenticidade das tabernas que se intitulam como tal.

Taberneiro que é taberneiro, faz orelhas moucas ao dos Cornos, ao Labrego ou à Badalhoca que lhe dá fama, e costumava batizar o estabelecimento com nome que o dignifique, como é caso de Adega Típica ou Petisqueira.

Sim, eu sei que ser genuíno está em alta, que as coisas se devem chamar pelo nome e assumirem-se tal como são. Se a mais humilde tasquinha se põe em bicos dos pés para se promover, para que é que um restaurante que diz ser de "alto padrão"  se há de querer chamar Taberna?

Alguma vez, viria o Ti Manel Porcalhâo receber-me à porta, para me pôr a par do Conceito de Taberna, que tem para me oferecer? Teria ele o descaramento de me perguntar se fiz reserva? Ou misturar torresmos e pataniscas, numa mixórdia inqualificável, para me proporcionar uma experiência gastronómica única!?

Vamos lá ver se encaixo o "conceito" e me íntegro no "envolvimento sensorial" que permite desfrutar da "experiência completa". A "conexão emocional", já está estabelecida (isto está a dar-me nos nervos!).

Mas que raio de taberna é esta, onde não se passa nem uma pinguinha de bagaço no balcão para desinfetar? 

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