Escrita Esquisita

Textos guardados
Bocadinhos do tempo de alguém que se obriga a aprender a gostar da escrita

Tudo passa

Sentado na beira da cama, enrola a cabeça queixo no peito, reproduz o arco nas costas. Os braços apoiados nos joelhos afastados, as mãos suspensas

Tudo passa ...

a baloiçar, até os dedos se encontrarem. Avaliados com cuidado, um a um, cada um é único na ordem a que não pode fugir.

Pouso a mão no seu ombro, depois ajoelho-me a seus pés,

Fazemos contas à vida?

quero ser o chão que pisa, terra que seja firme (Não somos nada!)

Ergue a cabeça, sorri

Dedo mindinho,

seu vizinho,

pai de todos,

fura bolos,

mata piolhos,

Estão feitas as contas, aqui as tens!

Damos as mãos, depois rimos, claro que rimos, 

Só podemos rir

muito e com vontade, com prazer, com dor, com medo e com raiva,

rimos de tudo o que há para rir, certos de que tudo passa.

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