Escrita Esquisita

Textos guardados
Bocadinhos do tempo de alguém que se obriga a aprender a gostar da escrita

Um dente, uma moeda

A mudança acontece a cada instante, numa sequência contínua quase imperceptível no imediato. Quanto menos tempo se conhece, mais lento se afigura o mudar. Enquanto nos for favorável, a mudança é bem-vinda e dizemos crescer. Temos pressa.

Pontualmente, destacam-se solavancos de tempo acelerado a assinalar o avanço. A primeira grande transformação física, implica perder. Temos receio.
Crescer no mesmo sentido e mudar em sintonia com os demais, traz segurança.

A poucos dias de ver consumada
a inevitável queda,

Não será outra coisa?
Não! É uma moeda!

Ao velho método, “quem tem pressa usa a linha e a porta, quem tem medo compra um cão”, foi acrescentada uma fantasia desconhecida.

A historieta – que até tem um certo encanto – propõe que se edifique, nos baldios da imaginação coletiva, um castelo de tijolo branco de leite. Para que tome forma, é esperado que cada um assuma o papel que lhe cabe, sem mais nem porquê.

prestes a ser fada
e em dificuldades
para lhe vestir a pele, 

Um brinquedo, um livro?
Não! Os outros tiveram uma moeda!

Se para uns é só seguir o guião, outros esbarram nas miudezas da narrativa. O magnífico palácio é construído mediante uma transação noturna e pago em dinheiro vivo.

não consigo evitar
ser tal como sou,

Não existe! É uma invenção!

 O dinheiro é sujo, o dinheiro suja. Os lençois são limpos, querem-se puros.

nem fugir ao medo
de te limitar
com as minhas barreiras.

Acreditas em mim?
Acredito! Mas ela vai trazer-me uma moeda!

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